Uma Canção Inesperada

Capítulo 4

 

Elizabeth apressou-se pelo elegante corredor decorado em direção ao terraço do Ritz-Carlton. Ela parou do lado de fora para alisar o seu vestido. O som abafado de conversas em voz baixa que vinham de dentro foi penetrado por risadas que mais pareciam guinchos. Kitty e Lydia saíram com um estrondo pela pesada porta de carvalho, quase derrubando Elizabeth no chão.

beer “Lizzy!” Lydia levantou um copo de cerveja em direção à Elizabeth, num brinde improvisado. “Todos estão procurando por você.”

“Olá!” Elizabeth deu um passo para trás rapidamente, fora do caminho da cerveja que balançava pela borda do copo de Lydia. “Onde vocês duas estão indo?”

“Ah, Deus, está tão chato lá que tivemos que sair,” Lydia gemeu, pesarosa. “Mas um dos garçons nos contou sobre uma festa quente no salão de baile. Vamos entrar na festa.”

“Vocês não podem simplesmente entrar numa festa privada!” Elizabeth exclamou.

“Podemos fazer o que quisermos. Vamos, Kitty.”

“Espera aí, Lyds. Quero falar com Lizzy um minuto.” Kitty deu um soluço, e entregou o copo dela para Lydia.

Elizabeth e Kitty trocaram um abraço caloroso. “Ouvi dizer que você vai trabalhar para a Jane,” Elizabeth disse.

Kitty pediu o copo de volta e deu um grande gole. “Começo a semana que vem,” ela ofegou. Ela havia terminado um curso numa associação para ser uma paralegal.

Elizabeth virou-se para Lydia. “Como estão as coisas em Los Angeles?”

“Ótimas! Festas fantásticas, e eu amo ir à praia—muitos corpos sarados para checar. O que você achou do meu bronzeado?”

“Eu estava falando sobre sua carreira de atriz.” Lydia não mudou nada, não que Elizabeth tivesse esperando algo diferente.

“Ah, isso. Ok, acho eu. Audições, agentes, meu trabalho, o de sempre. Sabe Lizzy, você devia desistir da velha e sombria Nova York, e tentar a vida em Los Angeles.”

Elizabeth suspirou. “Eu já expliquei isso antes. Sou uma atriz de teatro musical. Nova York é um lugar melhor para isso.”

Lydia deu de ombros. “Você que sabe.” Ela tomou um largo gole de seu copo.

“A mamãe te viu com essa cerveja?” Elizabeth perguntou. “Você é menor de idade.”

“Ah, por favor! A mamãe não liga. E o bartender nem perguntou—eu só me inclinei e deixei ele ficar me secando de cima a baixo.”

Chacoalhando a cabeça de um lado para o outro, Elizabeth se voltou para Kitty. “Você vai se mudar para a cidade?”

“A-hã. Vou morar com alguns amigos.” Ela deu uma risadinha nervosa e agarrou o braço de Lydia. “Você deve me visitar mais, Lyds. Poderemos ir aos clubes, como fazíamos antes de você se mudar para Los Angeles. Lembra daquela noite no verão passado, logo antes de você sair daqui?”

Lydia deu um gritinho. “Ah, meu Deus! Aquilo foi muito louco! Lembra daqueles caras que ficaram atrás de nós, aqueles que dançavam como robôs?” Ela começou a imitá-los, balançando os braços e movendo o corpo aos trancos.

“Lydia, pare de agir feito uma idiota,” Elizabeth falou asperamente. “E tome cuidado, ou você vai acabar derramando essa cerveja em alguém.”

Kitty explodiu numa risada. “Ela quase a derramou naquele amigo gato do Charles. Você sabe, aquele que só fica de pé num canto, olhando fixamente para todo mundo.”

Elizabeth fechou os olhos e pressionou seus lábios. “Lydia, você derramou cerveja em William Darcy?”

“Não.” Lydia rolou os olhos, estendendo a palavra em duas sílabas. “Kitty disse ‘quase.’ Mas, olha, se eu tivesse derramado qualquer coisa nele, eu ficaria feliz de limpar com a língua. Kitty está certa—ele é um tesão. E eu aposto que ele é realmente bom de cama.”

“Por quê você diz isso?” As palavras saíram feito um tiro antes que Elizabeth pudesse refreá-las.

Lydia gargalhou. “Ah, vamos lá. Use sua imaginação! Primeiro: ele toca piano, certo?”

“Bem, sim!” Kitty riu feito boba. “A mamãe ficou falando sem parar sobre ele no caminho para cá, lembra?”

“Nem sei. Eu não estava escutando.” Lydia acenou com a mão, como se dispensando o assunto. “De qualquer maneira, ele é músico. Você sabe, músicos são artísticos, emocionais, provavelmente ele fica todo “animadinho” com essas coisas. Fogoso, eu aposto.”

“Desculpe desapontá-la,” Elizabeth disse, “mas eu passei algum tempo com ele hoje e ele me pareceu bem frio. Não o vi ficar ‘todo animadinho’ com nada.”

“Provavelmente porque ele não viu nada—ou ninguém—que valesse à pena para ele ficar “animadinho”.”

“Lydia!” Kitty gritou, nervosa. “Isso foi cruel. Lizzy está realmente bonita hoje.”

“É, acho eu que sim.” Lydia deu de ombros. “Mas, pelo amor de Deus Lizzy, você podia mostrar um pouquinho mais de pele de vez em quando.”

“Ah, eu acho que você já está mostrando mais do que o suficiente por nós duas.” Elizabeth lançou um olhar de desprezo para o vestido de Lydia, uma frente-única curta, sem costas, o qual ou revelava, ou grudava-se, em cada curva do corpo dela.

Kitty, que estava bebendo sua cerveja quando Elizabeth falou, riu alto e começou a tossir.

“Bem, não me culpe se eu conseguir todos os caras gostosos hoje a noite. Nós duas temos matéria-prima de primeira.” Lydia olhou para baixo, para seu generoso decote, e então olhou para o corte discreto do vestido de Elizabeth, na altura do colo. “Mas, diferente de você, eu sei usá-lo.”

“Por quê você tem que ser sempre tão grosseira?” Elizabeth cruzou seus braços sobre seu peito.

Lydia bateu o pé e girou para olhar para Kitty. “Dá pra você parar de tossir?”

“Não tenho culpa—eu aspirei um pouco de cerveja,” Kitty choramingou, entre uma tosse e outra.

“Bom, você está me dando nos nervos,” Lydia disse, estúpida. “Mas eu estava falando sobre o Senhor Estudioso. Já que ele toca piano, ele deve ter uma boa—qual é a palavra—destro? Dextrose? Alguma coisa assim, manual?”

“Destreza,” Elizabeth suspirou.

“Sim. Isso. Ele é jeitoso com as mãos. E provavelmente, não só no piano, se você me entende.”

Kitty, cuja tosse já havia quase passado, respirava com dificuldade. “Entendo o que você quer dizer. Mmmmm!”

Os olhos de Elizabeth se estreitaram. “Você já acabou?”

“Não, eu ainda não cheguei na melhor parte!” Os olhos de Lydia brilharam.

“Eu sei que vou me arrepender de perguntar, mas qual é a melhor parte?” Elizabeth perguntava-se porque continuava encorajando a especulação de Lydia dos talentos secretos de William.

“Bem, repare nas evidências. Primeiro, ele é realmente alto. E ele não precisa ter mãos grandes e dedos bem longos para tocar aquelas peças ornamentadas e complicadas de piano?”

Elizabeth fez uma careta para Lydia. “E o que isso tem a ver com o resto?”

“Dãã! Isso provavelmente quer dizer que todo o equipamento dele é super-size. Aposto que ele deve ser tão grande quanto um cavalo.”

Kitty deu um grito agudo e explodiu num ataque de riso.

“Lydia!” Elizabeth ofegou, o rosto dela enrubescido. “Você é nojenta.”

Lydia deu de ombros. “Bem, me desculpe por não ser uma puritana como você. Vamos, Kitty, eu preciso de outra cerveja. Talvez eu a derrame no colo de William Darcy. Isso deixaria tudo muito mais emocionante!”

As garotas voltaram para o salão, deixando um rastro de risadinhas e gritinhos atrás delas. Elizabeth as seguiu num passo mais lento, lutando para banir a imagem mental que Lydia havia provocado. Ela respirou profundamente, clareando sua mente, e abriu a porta para o Terraço.

horse Infelizmente, para a tênue serenidade dela, a primeira pessoa que ela viu foi William. Ele estava sozinho, num canto, os dedos dele—os longos dedos dele—seguravam uma taça de vinho branco. Ela congelou na porta, mortificada por sentir suas bochechas esquentando. Os olhos dele cruzaram com os dela brevemente, e então ele tirou os olhos dela, ficando parado impassivamente do outro lado do salão.

Então, agora eu sou invisível. Ótimo. Quem se importa com o fato dele ser tão superior e poderoso para dizer oi? Me poupa o trabalho de ter que ser educada.

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William sentiu uma dor, um vazio em seu peito enquanto ele via Elizabeth cruzar a sala para se juntar a Jane. Como ele pôde chegar a pensar que Elizabeth fosse a menos atraente das duas irmãs? Ela era adorável—os movimentos dela graciosos, o sorriso dela iluminado, a voz dela clara e musical quando ela cumprimentou os Bingleys. Ele se imaginou caminhando em direção a eles para participar da conversa, deslumbrando-a com sua inteligência e sua aguda vivacidade. Mas os pés dele se recusaram a seguir ordens da cabeça dele—a cabeça latejante dele. Ele tentou massagear as têmporas, mas não ajudou. Ele colocou a taça de vinho numa mesinha próxima e tirou um frasquinho de Ibuprofen de seu bolso, engolindo quatro comprimidos sem água.

Uma energia parecia crepitar em volta de Elizabeth quando ela riu de algo que Charles havia dito. O contraste com a situação de William, de pé como um leproso em seu cantinho solitário, não podia ser mais extremo. De fato, “leproso” não era muito exagero. A falta de habilidade dele com conversa fiada em festas era um tipo de lepra social. Normalmente, o “ Campo Magnético William Darcy” compensava isso, mas hoje à noite todos—especialmente Elizabeth—pareciam imunes.

Ele se retirou para seu canto logo depois de chegar na sala, e passou seu tempo bebericando uma taça de um vinho branco medíocre e olhando incessantemente em direção à porta. Ele não percebeu que estava procurando por Elizabeth até que ela apareceu. Apesar do seu pulso acelerado, ele manteve uma expressão passiva, uma habilidade cultivada durante anos de prática. Ele pensou que era melhor esconder seu interesse nela. Por mais fascinante que ela pudesse ser, ela era o tipo errado de mulher para ele, como os membros da família dela estavam mostrando tão habilmente.

Por exemplo, aquelas irmãs! São uma atrocidade. Ele lançou um olhar desdenhoso em direção ao bar, onde as duas garotas flertavam desavergonhadamente com o bartender. Uma usava um vestido que não deixava quase nada para a imaginação. A outra estava mais apropriadamente vestida, mas ambas eram barulhentas e desagradáveis—dando gritinhos, rindo feito bobas, bebendo e derrubando tudo pela sala, feito um par de animais selvagens. A irmã dele, Georgiana, jamais se comportaria de tal maneira. Nenhuma moça bem criada se comportaria assim. Obviamente, os Bennets não haviam criado suas filhas apropriadamente.

E a mãe não possui muito que a recomende. A Sra. Bennet se sentou numa mesa há pouca distância dele, falando sem parar com a tia de Jane. Pela inclinação conspiratória da cabeça das duas, e pelos olhares especulativos delas em direção à ele, elas deviam estar fofocando sobre ele.

Ele fechou os olhos e massageou a testa novamente. O ibuprofen ainda não estava fazendo efeito. Quando ele abriu os olhos, ele viu Charles pedindo licença da conversa que participava. Ele juntou-se a William no canto. “Ei, Will. Você está bem?”

“Estou cansado, só isso.”

“Dia longo, huh?”

“Por quê você não me contou mais coisas sobre Elizabeth essa tarde?”

Charles piscou. “O quê?”

“Elizabeth dá aulas numa faculdade em New York, está terminando um mestrado em música, e tem a voz de um anjo. Pelo pouco que você me contou, eu esperava uma adolescente sem talento algum.”

“Eu tentei te dizer o resto, mas você estava ocupado demais, me dizendo como eu era idiota de sugerir que você pudesse gostar de Elizabeth.”

A desajeitada incursão de Charles como cupido havia sido humilhante até agora. William sempre rejeitou tais sugestões, explicando que ele queria—e precisava—de nenhuma assistência para encontrar mulheres. Ele se recusava a ser tratado como um solteirão patético e solitário. Além disso, haviam coisas piores que a solidão, como a estridente risada de Lydia o lembrou bem. “Eu suponho ter reagido exageradamente. Por falar nisso, Elizabeth ouviu nossa conversa.”

Charles assentiu com a cabeça. “Jane falou alguma coisa sobre isso.” Um olhar especulativo brilhava nos olhos dele. “Hmmm … aparentemente, eu não fui tão idiota assim.”

“O que você quer dizer com isso?”

“Não foi tão louco assim pensar que você poderia gostar de Elizabeth. Você gosta dela, não gosta?”

William se forçou a adotar um tom casual. “Sim, eu gosto dela. Eu gosto de Jane. Eu gosto da amiga delas, Charlotte. Isso não significa nada.”

“Ah, eu acho que significa. Não me admira nada que você tenha se oferecido para ficar na igreja depois do ensaio, e que você tenha dado uma carona a ela.”

“Eu estava cumprindo com minha obrigação de padrinho, tentando ajudar você.” O tom de William era virtuoso, mas ele se recusou a enfrentar o olhar presunçoso de Charles.

“Certo. Se é assim que você quer…”

“É assim que as coisas são.” William investiu nessa observação com toda a convicção que ele conseguiu reunir.

“Bom, então, você não vai se interessar por isso, mas eu acho que Jane colocou você e a Elizabeth próximos no jantar.”

“Ela colocou,” William respondeu rápido—rápido demais. Ele encolheu-se.

Charles riu com vontade. “Peguei você! Você checou os lugares nas mesas, não checou?”

William olhou para Charles imperiosamente, reunindo em silêncio sua esfarrapada dignidade.

“Ok, eu te livro da obrigação. Mas por que você não admite que está atraído por ela? Por quê você não estaria? Ela é inteligente, é engraçada e, embora eu não devesse dizer isso sobre minha futura cunhada, ela quase fez com que meus olhos saltassem das órbitas quando eu a vi hoje na igreja.”

“Os meus também,” William admitiu, pesaroso.

Charles deu um tapa nas costas de William e assentiu com a cabeça. “Bem, é melhor eu ver como Jane e meus pais estão se entendendo. Por quê você não vai falar com Elizabeth, ao invés de ficar aqui, sozinho?”

wine glasses Charles voltou pelo salão, parando diversas vezes para conversar brevemente com seus convidados. Elizabeth, depois de uma breve conversa com os Hursts, aproximou-se do bar, e agora estava lá, sozinha. Reunindo coragem, William dirigiu-se para lá, os passos largos e decididos. Assim que ele chegou, o bartender entregou a Elizabeth a taça de vinho que ela pedira, o olhar apreciativo dele demorando-se nela numa maneira que fez com que William rangesse os dentes. Ela agradeceu ao bartender e saiu andando antes que William tivesse uma chance de dizer uma palavra. Deprimido, ele se retirou para o seu canto.

Isso é ridículo! Não há razão para que eu a siga por toda parte, ofegando, implorando, como se eu fosse o Cocker spaniel dela. Ele ajeitou-se, erguendo-se em toda sua altura, ajeitando seus largos ombros retamente, já se sentindo melhor. Agora, se ele apenas pudesse pensar no que fazer depois…

Como se em resposta, a porta do salão abriu-se, e Charlotte Lucas entrou por ela. O rosto de Elizabeth iluminou-se, e ela apressou-se para cumprimentar a amiga.

Excelente. Vou falar com elas. Afinal, esperam que eu seja educado com as damas de honra e madrinhas. Isto deve estar em algum lugar no “Livro de etiqueta do Padrinho”.

Elizabeth e Charlotte aproximaram-se do bar, e William dirigiu-se para lá também, intrépido. Ele esperava que o bartender não tivesse notado que as chegadas dele no bar começaram a coincidir com as de Elizabeth.

“Oi, William,” Charlotte disse, com um sorriso acolhedor.

Ele então a retornou o cumprimento, e disse oi para Elizabeth, que acenou em resposta, mas não disse nada. Pelo menos ele podia falar com Charlotte—essa estratégia havia funcionado bem na igreja. “Na loja, o seu vestido já estava pronto?”

“Sim. Eu cheguei lá logo antes deles fecharem.”

“Estou surpreso que você não o tenha pego antes.” William não gostava de deixar as coisas para a última hora.

“É que quando o vestido chegou, estava muito curto. Eles tiveram que descer a barra, para que ele pudesse ao menos cobrir meus joelhos.”

Elizabeth riu, e ele olhou para ela, confuso. “Os vestidos das damas e madrinhas são longos,” ela explicou. Ele riu suavamente da piada, atraído pela maneira que os olhos dela brilhavam quando ela ria.

“Vocês fizeram uma boa viagem na Z3?” Charlotte perguntou.

“William arriscou a própria vida e me deixou dirigir,” Elizabeth disse com uma gravidade de quem tira sarro.

“Então, isso significa que você perdeu sua virgindade com carros-esporte, certo? E tudo por causa de William.” Charlotte sorria, um sorriso aberto e um olhar maroto nos olhos.

Ele sabia que Charlotte estava se referindo à primeira vez que Elizabeth andou num carro-esporte, mas a mente dele lembrou-se num flash da visão erótica que ele teve de possuí-la no capô da Z3. Uma onda súbita de calor tomou o corpo dele. Por favor, de novo não, ele implorou à sua volátil libido. Ele começou a olhar fixamente para a sala sem enxergar nada, engolindo em seco.

scotch “Aqui está, madame.” O bartender entregou à Charlotte um copo. “Johnnie Walker Black com gelo.”

Elizabeth estremeceu. “Eu não sei como você consegue tomar essa coisa vil. Vamos, vamos nos sentar e colocar a conversa em dia.”

“Vejo você mais tarde, William,” Charlotte disse.

Ele suspirou triste e as viu afastar-se. Bem, era um plano tão bom… As mãos dele se sentiram inúteis e desajeitadas ao lado do corpo dele. Ele enfiou uma no bolso e ocupou a outra com uma nova taça de vinho branco enquanto ele esgueirava-se de volta para o canto dele.

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“Ok, o que está acontecendo entre você e William Darcy?”

Elizabeth olhou para Charlotte fixamente. “Do que você está falando? Não está acontecendo nada.”

Charlotte assentiu intencionalmente. “Sim, claro. Vamos Liz, conheço você desde os 13 anos. Você não consegue me enganar.”

“Sério, não está acontecendo nada.”

“E é por isso que ele não conseguiu tirar os olhos de você na igreja? Ou no bar, há um minuto atrás? Ou exatamente nesse momento?” Charlotte mexeu a cabeça em direção ao canto onde estava William.

“Se ele está olhando para mim mesmo, é apenas para achar algum defeito.”

“Besteira,” Charlotte disse sucintamente. “Eu o observei durante o ensaio. E eu não acho que ele ouviu uma palavra do que o Reverendo disse. Escreva o que estou te dizendo, ele sente algo por você.”

“Ah, deixa disso! É de William Darcy que estamos falando! Você sabe, aquele que a revista Newsweek chamou de ‘Sex-symbol da Música Clássica’? O que ele podia querer comigo?”

“Muita coisa. Deixa disso você, Liz. Você é muito divertida. Você é inteligente. Você tem uma voz que derreteria um coração de pedra. E você tem o tipo de corpo que deixa os homens loucos, embora você normalmente se vista de uma maneira que ninguém possa saber disso.”

“Não começa.”

“Eu só queria que você parasse de erguer barreiras para manter os homens longe de você.”

“Eu ter escolhido não me vestir como uma vagabunda não quer dizer que eu esteja erguendo barreiras. Estou muito bem. Tenho uma vida legal, estou feliz.”

“Hmmm.” Charlotte não estava convencida. “Quando foi a última vez que você teve um namorado?”

“Defina ‘namorado.’”

“Um cara com quem você saiu pelo menos quatro vezes. Note que eu estou considerando um valor muito baixo.”

“Não tenho certeza. Tenho andado ocupada nos últimos tempos, trabalhando em empregos extras.”

“Dois meses? Quatro? Seis?”

“Bem … mais tempo, acho.” Elizabeth fez uma careta enquanto pensava sobre a pergunta. “Provavelmente um ano, talvez um pouquinho mais.”

“E por quanto tempo você saiu com ele?”

“Um ou dois meses.”

“Uau, um relacionamento longo hein. Quanto tempo se passou antes de você dormir com ele?”

“Eu não dormi com ele,” Elizabeth respondeu, olhando fixamente para sua taça de vinho, e brincando com o guardanapo entre os dedos.

“Ele não tentou te levar para a cama?”

“Ele tentou. Foi quando eu parei de vê-lo.”

“Porque ele queria ir para a cama com você?”

“Sim, e eu não estava pronta.” Elizabeth havia tolerado essas perguntas embaraçosas por muito tempo, mas Charlotte já estava ultrapassando as barreiras da amizade. “É hora de mudar de assunto.”

“Ainda não. Isso é importante. Quanto tempo faz desde que você dormiu com um cara pela última vez?”

“Não pretendo discutir isso,” Elizabeth mandou.

“Mas eu acho que você precisa. Jane e eu estamos preocupadas com você, mas Jane é muito boazinha para te fazer falar disso. Eu não sou. Então fala. Há quanto tempo?”

Elizabeth olhou bem para Charlotte por um momento antes de responder. “Ok. Faz muito tempo.”

“Quanto tempo? Por favor, não me diga que desde que—”

“Faz muito tempo,” Elizabeth repetiu, de forma a querer finalizar o assunto. “E eu não vou ser mais específica do que isso.”

“Liz—”

“Olha, eu sei que você está confortável com essa situação de ter amantes casuais. Eu não estou. Faz muito tempo desde que eu encontrei alguém que realmente fosse importante o suficiente para eu me importar. E quando eu encontrei…” A voz de Elizabeth sumiu, e ela olhou para baixo, para a mesa, suspirando silenciosamente.

“Eu sei,” Charlotte disse gentilmente. “Mas isso foi há muito tempo atrás. E existem homens bons lá fora, sabe?”

“Talvez, mas parece que eu não consigo diferenciá-los dos crápulas.”

“Então você resolveu fazer um voto de castidade? Isso não é normal.”

“Para mim, não seria normal me jogar num relacionamento físico com alguém que eu tenha acabado de conhecer.”

“Ok, eu posso aceitar isso. Mas, as vezes, você não quer apenas agarrar o primeiro cara que passa perto de você, jogá-lo no chão, e simplesmente transar com ele?”

Elizabeth riu, quebrando a tensão. “Sim, Char, eu penso em sexo. Tanto quanto qualquer outra pessoa, eu imagino. Mas o sexo vai ter que esperar até que eu encontre alguém que eu amo e que me ame, alguém que eu possa confiar.”

“Como você vai encontrá-lo se você continuar evitando os homens?”

“Não estou evitando os homens. Tenho muitos amigos homens.”

“Amigos são ótimos. Mas você precisa transar.”

“E eu suponho que você vai fazer disso sua missão, me encontrar o provável candidato?”

“Missão cumprida. William Darcy, Sex-Symbol da Música Clássica. Excelente potencial, eu acho.” Charlotte levantou as sobrancelhas, sugestivamente.

“Você é tão terrível quanto Lydia. Mais cedo, ela estava enumerando todas as razões pelas quais William provavelmente fosse, e eu repito as palavras dela, realmente bom de cama.”

Charlotte assentiu, impressionada. “Garota esperta. Ela mencionou os longos dedos dele, e o que eles podiam implicar com relação à outras… partes?”

Elizabeth olhou para Charlotte, chacoalhando a cabeça de modo reprovador. “Eu não sei qual de vocês tem a mente mais suja.”

“Bem, eu gosto de pensar que sou eu. Tenho uma reputação a zelar. Mas, você sabe, diga o que quiser sobre Lydia, mas ela sabe uma coisa ou duas sobre homens. Mais do que você sabe, sabe-se lá quanto! Talvez você devesse conduzir uma investigação com suas próprias mãos, e saber se ela e eu estamos certas sobre William.”

“Investigue-o você mesma se você realmente quiser saber. De qualquer maneira, é em você que ele está interessado.”

“Eu queria que isso fosse verdade. Ele é o cara mais sexy que eu já conheci há muito tempo. E além disso, ele conhece pintoras holandesas do século XVII, e você sabe como eu acho isso excitante.” Charlotte sorriu abertamente.

“Então, qual é o problema?”

“O problema é que ele quer você. Confie em mim.”

“Char, realmente, você não entende. Ele não está interessado em mim, e eu não gosto dele.”

“Ah, por favor! Você não gosta dele? Me desculpe, mas eu é que fui arrastada para cada concerto que ele deu naqueles dois verões que ele veio para Interlochen. Você tinha uma senhora queda por ele.”

“Tinha. Tempo passado. Isso foi antes de eu conhecê-lo. Quero dizer, olha pra ele lá, Sr. Metido a Besta, muito superior para falar com qualquer um de nós.”

“Liz, ele veio falar com a gente, e você dispensou ele!”

“Não se engane. Ele só estava pegando algo para beber. Não, eu estou te dizendo, ele é um esnobe, rude, arrogante, convencido.”

“Você realmente acha isso? Eu sei que não o vi muito, mas pra mim ele parece charmoso.”

“Para você, talvez,” Elizabeth disparou. “Você é do ‘nível social’dele, então ele é legal com você. Mas é diferente com uma ‘cantorinha num sub-emprego’ como eu.”

“Peraí, não estou entendendo nada. Do que você está falando?”

Elizabeth contou a Charlotte a estória do encontro no aeroporto com William, e contou a parte na qual ela ouviu os comentários dele no jardim. No final da estória, Charlotte estava rindo, divertindo-se.

“Bom, eu tenho que dar crédito a ele,” ela disse, chacoalhando a cabeça. “A maior parte das pessoas não conseguem meter tanto os pés pelas mãos sem maiores conseqüências. Desculpe—sei que provavelmente não foi engraçado na hora. Mas em retrospecto—”

“Continua não sendo engraçado.”

“Ei, você não é assim—você normalmente ri e faz piada das coisas bem depressa. Ele realmente afetou você, não afetou?”

“Bem, tem mais ainda.”

“Mais? Você está brincando! Ele têm sido um garoto levado.”

“Quando eu cheguei na igreja hoje, ele foi inacreditavelmente rude. Eu andei até ele e ele ficou lá, parado, me olhando fixamente. Eu quase tive que chutar as canelas dele para ele dizer alguma coisa.”

“Hmmm. Secando você, sem conseguir falar, hã?” Um sorriso brincava nos cantos da boca de Charlotte.

“E então ele começou a gaguejar como um idiota. Mas ele não encontrou problema nenhum em comentar que, quando eu estava bem vestida, parecia velha.”

“Ele disse que você parecia velha?” Charlotte fez uma careta. “Não, ele não pode ter dito isso.”

“Ele disse. Ele me informou que eu parecia mais velha do que naquele mesmo dia mais cedo.”

“Liz, dá um tempo pra ele! Ele não soube se expressar, te garanto, mas eu aposto que eu sei o que ele quis dizer. O que você estava usando mais cedo? Uma camisa enorme como um saco, jeans, o cabelo amarrado num rabo de cavalo?”

“Uma saia jeans, mas o resto está certo.”

“E nada de maquiagem.”

“Certo. Sombra não era exatamente uma prioridade às quatro da manhã, quando eu acordei.”

“Liz, você parece ter 18 anos quando se veste dessa maneira. É por isso que vivem pedindo seus documentos quando vamos para bares juntas. Talvez ele pensou que você fosse uma adolescente, até que ele te viu toda produzida.”

“Bobagem. Charles sabia quantos anos eu tinha, e ele deve ter contado ao William. Além disso, tem mais.”

“Ainda tem mais? Essa estória não tem mais fim.”

“Bem, eu admito, que algumas vezes eu notei algo nele. Algo… não sei como descrever, mas como se houvesse uma pessoa de verdade debaixo de toda aquela arrogância. Alguém de quem eu até poderia gostar. E quando saimos e fomos até o carro, era assim que ele estava, logo no começo. Ele estava sendo agradável, até mesmo doce. E parecia que ele estava flertando um pouco comigo.”

Charlotte ergueu suas sobrancelhas. “Parece promissor.”

“Mas então ele entrou no carro e foi como se ele tivesse virado uma chave e voltou a ser o mesmo arrogante de sempre. Ele teve a coragem de me dizer que eu estava perdendo meu tempo na Broadway, quando eu deveria me tornar uma cantora de ópera.”

O copo de scotch de Charlotte congelou no caminho para seus lábios. “Ai ai ai! Ele realmente disse isso?”

“Ele disse que eu ‘me conformei’ com a Broadway. Acho que, na verdade, ele pretendia me elogiar, com relação à minha voz, acredite ou não. Olha como ele é um caso sem esperança.”

“Ah, eu queria estar lá para ver a explosão,” Charlotte deu uma risadinha. “Por favor, por favor, me diga o que você disse a ele!”

Elizabeth suspirou. “Nada. Eu só o agradeci.”

“Não, sério, o que você disse? Porque eu sei que na hora que você acabasse a discussão, estariam faltando algumas partes vitais do corpo dele.”

“Eu prometi para Jane que seria educada com ele no fim-de-semana. Então, todas as partes do corpo dele estão intactas, que eu saiba.” Elizabeth lutava para não pensar em certas partes do corpo dele, como as que Lydia apontou mais cedo. “Mas você devia ver as marcas de mordidas na minha língua.”

“Eu aposto que você mordeu bastante a língua,” Charlotte sorriu abertamente.

“Sabe, pensando em retrospecto, provavelmente foi o carro dele que me atraiu quando estávamos do lado de fora, não ele. É um ótimo carro.”

Charlotte deu de ombros. “Não seria a primeira vez que um homem recebeu atenção por causa do carro dele. Bom, de qualquer maneira, posso entender o porque de você não estar pronta para pular na cama dele ainda.”

“Ainda?” Elizabeth riu. “Isso é um exagero. Por quê eu iria querer ‘pular na cama’ com alguém que está sempre dizendo coisas tão grosseiras?”

“Por um cara sexy como ele, valeria a pena enfrentar isso. Quero dizer, se você o amordaçasse, ele não poderia falar. Ooh… William Darcy amordaçado, e mais nada…” Charlotte fechou os olhos, um olhar abobado e feliz no rosto. “Oh, sim, estou gostando muito dessa imagem mental.”

“Ótimo. Aprecie a imagem mental que quiser,” Elizabeth respondeu, lutando para não formar as próprias imagens mentais. “Mas me deixe de fora dos seus planos para a futura vida sexual dele. Acho que posso prometer a você, seguramente, que nunca dividirei uma cama com William Darcy.”

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A dor de cabeça de William não havia melhorado. Seu desejo mais ardente era o de ir até o andar de cima, em seu quarto, e desabar na cama, sem ser perturbado até a manhã seguinte. Mas ele tinha uma longa noite pela frente, e teria que perseverar.

Ele se aproximou de um garçom que circulava com uma bandeja de hors d’oeuvres, e pediu uma xícara de café. Depois de recebê-la, ele foi para o corredor do lado de fora e mergulhou numa poltrona super estofada que estava contra uma parede. Ele entrelaçou as mãos em volta da xícara, inalando o delicioso aroma do café preto e forte. Inclinando-se na poltrona, ele fechou os olhos.

Embora ele nunca tenha sido muito chegado a festas, ele não podia se lembrar da última vez que havia se sentido tão deslocado. Nas turnês dos concertos, normalmente ele era obrigado a comparecer nas recepções do tipo “conheça o artista”; contudo, como convidado de honra nesses eventos, um representante da orquestra anfitriã o guiava pela sala como um respeitável acompanhante. Além disso, as conversas normalmente giravam em torno de música, um tópico que ele gostava de discutir. Em Nova York, ele conhecia a maior parte dos convidados em qualquer festa que ele fosse, o que ajudava a aliviar o seu desconforto.

Aqui, contudo, ele conhecia poucos dos convidados e não tinha quase nada em comum com eles. Os Bennet e os Bingley estavam cada qual com sua família, enquanto que os membros da Golden Gate Jazz, o conjunto de jazz de Bingley, formavam outro grupo. Charles, ocupado circulando entre os convidados, parava de vez em quando para uma conversa ocasional mas, em outros momentos, William retinha a ocupação solitária de seu canto—uma figura solitária, que não pertencia a lugar nenhum.

Pelo menos ele teria uma chance de falar com Elizabeth no jantar. Enquanto a assistia numa conversa animada com Charlotte há alguns momentos atrás, ele decidiu levá-la a jantares ocasionais e concertos em Nova York. A família dela estaria bem longe, e alguns encontros para jantar não constituíam, de maneira alguma, um compromisso no futuro. Um drink sossegado amanhã, depois da recepção do casamento, não lhe parecia inapropriado também. Talvez ele até a convidasse para sua agradável excursão no domingo de manhã com a Z3. Ele pretendia iniciar o assunto no jantar de hoje.

Por mais que ele preferisse permanecer no tranqüilo corredor do salão, ele sabia que o jantar seria servido em breve. Ele se obrigou a ficar de pé e foi andando, voltando em direção ao Terraço. Quando ele alcançou a porta para abrí-la, ela se abriu, batendo no braço dele. Ele gemeu quando o conteúdo da xícara de café dele espirrou na camisa dele pela segunda vez naquele dia, desta vez atingindo sua gravata também. Kitty e Lydia pararam na porta, as mãos delas cobrindo a boca delas, um olhar de alegria inebriada nos olhos delas.

“Desculpe-nos!” Kitty quase engasgou, entre intervalos de risadinhas histéricas.

Os olhos de Lydia percorreram o corpo dele, parando de forma muito visível na genitália dele, e então voltando para o rosto dele. Ela o olhou de forma convidativa muito obviamente, e depois ela e Kitty precipitaram-se pelo salão. Ele ouviu gritinhos atrás dele, assim como um som que parecia o relinchar de um cavalo. Eu devo estar ouvindo coisas.

Ele entrou no Terraço, a cabeça longe, esfregando as manchas na gravata dele. Ele já havia sido ‘secado’ freqüentemente no passado, mas ele raramente se sentia molestado pelo olhar fixo e franco de uma mulher. De fato, a única mulher que eu consigo me lembrar de ter feito com que eu me sentisse tão desconfortável foi-

“William, querido!”

Caroline Bingley se aproximou pela porta de entrada, um olhar predatório, os brilhantes lábios vermelhos. O cabelo dela, longo, cor de cobre, o surpreendeu—ele estava loiro da última vez que ele a viu, alguns anos antes. O vestido preto dela era um clássico Caroline: sem alça, justo mas confortável, e obviamente caro.

Ele precisou de todo o auto-controle que possuía para não gemer de lamentação—ou, melhor ainda, para não correr. “Olá, Caroline. Como—”

Ela se jogou sobre ele, os braços dela em volta do pescoço dele, pressionando sua forma alta e ossuda contra ele, e beijou-o nos lábios. Enquanto ele tentava se soltar dela, ele olhou de relance para Elizabeth. Ele a viu cutucar Charlotte e apontar com a cabeça em direção a ele, e a face dele ruborizou-se.

“Senti tanto sua falta,” Caroline disse, fazendo beicinho. “Você é um garoto muito levado por não visitar Charles e eu antes!”

“Estive viajando muito. Não tive tempo para visitas.” Ele deu um passo para trás, a fim de evitar quaisquer outros abraços.

“Sem tempo para os amigos? Tsk tsk. Você está sempre tão ocupado quando eu tento visitá-lo em Nova York também… Mas teremos muito tempo para colocar os assuntos em dia nesse fim-de-semana, pois ambos estamos na casa de Charles.”

“Na verdade, eu estou hospedado aqui, no hotel.” Ele tossiu para esconder a risada que escapou da boca dele.

Uma fúria ficou evidente no rosto dela, mas logo passou, substituída por um sorriso alegre e falso. “Meu irmão às vezes é tão avoado… Ele me disse que você estaria na casa dele. Mas isso não nos impede de passar um tempo juntos. Talvez pudéssemos ir para algum lugar hoje depois do jantar hoje? Um drink tranqüilo no seu quarto, talvez. Assumo que você tenha uma suíte.”

Ele estava grato por ter uma desculpa pronta. “Hoje é a despedida de solteiro de Charles.”

“Amanhã então, depois do casamento. Charles e Jane estarão numa suíte aqui no Ritz. Você podia voltar para casa comigo—teríamos a casa toda para nós,” ela murmurou, os olhos dela correndo pelo corpo dele.

Ele esfregou a testa. “Não pretendo marcar nada, porque não sei para o que Charles precisará de mim.”

“Duvido que ele vá precisar de sua ajuda na noite de núpcias, querido.” Ela baixou a voz, um brilho sugestivo nos olhos dela. “Mas garanto que você poderia dar algumas dicas a ele.”

Ele cerrou as mandíbulas com tanta força que temeu pelos próprios dentes. “Caroline, você vai ter que me dar licença—”

Ela o interrompeu alegremente, como se ela não tivesse ouvido a ele. “De qualquer maneira, vamos planejar uma noite só para nós na casa, depois do casamento. E enquanto isso, podemos jantar juntos hoje à noite.”

“Não sei. Eles tem os lugares certos para sentarmos, e—”

Altas risadas explodiram, o interrompendo. Kitty e Lydia retornaram. Caroline olhou de relance para elas, o lábio franzindo de desgosto.

“Essas Bennets não são simplesmente horrendas? Eu fui à festa mais cafona que já estive na casinha patética deles no mês passado. Jane parece ser uma boa pessoa, suponho, mas eu realmente acho que Charles podia ter conseguido coisa melhor.”

“Ele parece feliz.”

“Eu estou feliz que papai tenha insistido num acordo pré-nupcial rígido.”

William limpou a garganta e olhou para outro lado. Ele odiava ter que manter segredo sobre algo, mas ele devia a Charles seu silêncio. Enquanto seus olhos escaneavam a sala, Elizabeth e Charlotte se aproximavam dos membros da Golden Gate Jazz. Elizabeth estava rindo, aparentemente de algo que Charlotte disse. Ele assistiu aos olhos dela dançarem, esquecendo-se de que Caroline estava do lado dele.

“Não tema, querido,” ela disse, murmurando. “Faço companhia para você, e te protegerei da horde bárbara este fim-de-semana. Sei que você deve estar pensando o quanto tudo isso será terrível.”

“Na verdade não, não estou pensando nisso.” Eu estou apreciando um belo par de olhos no momento.

“De quem são os olhos, posso saber?”

“Como?” Ele se encolheu e olhou-a atentamente. Eu não posso ter falado a parte dos belos olhos em voz alta, posso?

“Você disse estar apreciando um belo par de olhos.” Ela fixou os olhos na face dele e, com um sorriso provocativo, perguntou, “Olhos de quem?”

Ele estava embaraçado demais para pensar numa mentira qualquer, então ele disse a verdade. “Os olhos de Elizabeth Bennet. Ela é irmã de Jane, a dama-de-honra.”

Caroline empalideceu diante da resposta direta dele, mas logo sua máscara alegre estava no lugar. “Oh, você deve nos apresentar,” ela chilreou num tom artificial que soou como unhas raspando numa lousa.

Ele rangeu os dentes, a paciência dele no fim com toda a tarde e começo de noite equivocados que ele teve. “Você vai ter que me dar licença. Derramei café na minha camisa, e quero me trocar antes do jantar.”

“Vou com você até seu quarto e te faço companhia, querido.”

“Não!” Ele respirou profundamente e adotou um tom mais calmo. “Não, obrigado. Vejo você mais tarde.”

Ele praticamente saiu voando da sala. Como sempre, a implacável perseguição dela o enojava. Nos dez anos em que se conheciam, ele jamais havia dado a ela o mínimo encorajamento, mas ela se recusava a ser dissuadida. Pior, o surpreendia que ela parecesse tão confortável na presença dele depois do que aconteceu da última vez que ele a viu.

Cerca de três anos atrás, ele tinha visitado Charles na casa dos pais dele em Los Angeles, onde Caroline também residia. Depois de dois desconfortáveis dias evitando os avanços dela, o quarto dele abriu-se de repente numa noite, quando ele estava quase dormindo. Ele havia acendido a luz do abajur dele para encontrá-la parada no batente da porta, usando nada além de um negligé transparente. Não que houvesse muito a ser revelado—o corpo angular dela quase não tinha nenhuma curva feminina. Ele pulou da cama e bateu a porta na cara dela, trancando-a, mas não antes dos olhos famintos dela terem se incendiado à simples visão dele usando nada mais do que sua cueca samba-canção.

Na manhã seguinte, ele chegara na mesa para o café-da-manhã num suspense miserável. Para sua grande surpresa, ela adentrara alegremente a sala, mais atenciosa do que nunca para com ele. Ele trancou a porta até o final da estadia dele, e nunca mais visitou Charles em Los Angeles. Caroline ia para Nova York ocasionalmente, e invariavelmente ligava para ele, chamando-o para um jantar, uma festa, ou um concerto. William sempre recusou os convites dela, e todos os seus empregados e empregadas tinham instruções de nunca deixá-la entrar na casa.

Talvez ela tivesse bebido naquela noite e não se lembrasse do incidente, mas ele não se lembrava de ter visto-a consumir uma quantidade excessiva de álcool. O incomodava o fato de que ela tivesse cometido a transgressão, embora fosse ele, o inocente, que tivesse ficado embaraçado. Pelo menos Charles não sabia nada sobre isso, poupando-o de um embaraço ainda maior.

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Na hora em que William chegou no andar de baixo usando uma camisa e uma gravata limpas, os convidados estavam se sentando para o jantar. Ele se dirigiu à sua mesa, antecipando um jantar agradável com Elizabeth, e, ao invés disso, encontrou-se sentado do lado de Caroline.

“Querido, estou tão feliz porque vamos poder conversar durante o jantar!,” ela disse, entusiasmada. “Que surpresa agradável!”

Os olhos dele se estreitaram. “É uma surpresa, realmente.” Obviamente, ela havia trocado os cartões dos lugares enquanto ele estava se trocando, mas qualquer atitude que ele tomasse poderia causar uma cena, bem como exporia o seu interesse particular na marcação dos assentos. Elizabeth estava sentada numa mesa próxima com Bill Collins, dois outros membros da Golden Gate Jazz e suas esposas, e os Hursts. Cores escuras desfilavam pela mente dele enquanto ele assistia Elizabeth sorrindo sobre algo que Collins dissera.

Os Bennets estavam sentados à esquerda de William, com os Bingleys do outro lado de Caroline. Jane e Charles tomaram seus lugares na mesa na frente de William. Jane olhou fixamente para Caroline por um momento, confusa, e William viu-a escaneando as outras mesas, até que ela encontrou Elizabeth. Ela olhou de volta para Caroline e, aparentemente decidiu, assim como William, que nada poderia ser feito naquele momento sobre o assunto.

Um garçom colocou um aperitivo na frente de cada convidado. “Coquetel de caranguejo,” Caroline murmurou no ouvido de William, colocando a mão no joelho dele enquanto falava. “Quão classe média e sem imaginação. Eu pensei que a cozinha de São Francisco era supostamente de primeiríssima qualidade. Mas acho que não podia esperar nada mais desses Bennets.”

William afastou ligeiramente sua cadeira para longe dela, deslocando a mão dela. “Sra. Bingley, acredito que Charles tenha me dito que a senhora selecionou o menu para o jantar dessa noite?”

A mãe de Charles, uma mulher magra e pálida vestida num vestido preto conservador e pérolas, assentiu para ele. “Espero que você goste,” ela respondeu num tom sussurrado, olhando para o marido de forma ameaçadora.

“Claro que gostaremos, mamãe” Charles disse, tocando o braço dela.

“Que começo maravilhoso,” Jane adicionou. “Amo coquetel de caranguejo. E é uma escolha perfeita para dar as boas vindas aos nossos convidados de fora de São Francisco.”

William olhou para Caroline com satisfação, e ela olhava fixamente para seu prato de carne de caranguejo. Ele voltou sua atenção para sua comida, percebendo que estava faminto.

“Charles, seu grupo de jazz vai tocar para nós essa noite?” A Sra. Bennet perguntou.

“Não esta noite. Mas eles estarão tocando antes do jantar, na recepção de amanhã—eles encontraram alguém para me substituir.”

“Eu pensei que podíamos pedir para Lizzy cantar hoje à noite,” Jane disse. “O que você acha, Charles?”

“Claro que ela ficará muito feliz, querida,” a Sra. Bennet intrometeu-se antes que Charles pudesse responder. “Que pena que certas pessoas se acham importantes demais para tocar para nós.”

William rangeu os dentes e respirou profundamente. Ele olhou para Charles, que ergueu as sobrancelhas como quem implora. “O que você acha, William? Aparentemente, para minha futura sogra, significaria muito que você tocasse para nós essa noite.”

“Muito bem. Isto é, assumindo que o piano esteja corretamente afinado e que tenha o tom na qualidade necessária. Terei que checar depois do jantar. Como sei que você deve compreender, não toco instrumentos inferiores.”

“Oh, Sr. Darcy, muito obrigada!” A frieza anterior da Sra. Bennet com relação a William foi-se, lavada por uma violenta onda de gratidão. “Estou tão ansiosa! De pensar que poderei dizer às pessoas que William Darcy, o próprio Sex Symbol da Música Clássica, tocou um solo no jantar do ensaio de minha filha!”

A Sra. Bennet continuou agradecendo-o efusivamente, mas William não a ouvia. Ele odiava ser chamado por aquele nome, criado pela revista Newsweek em seu mais recente profile. Seu corpo retesou-se, e ele suspirou profundamente. Caroline puxou sua cadeira para mais perto dele, colocando a mão no joelho dele de novo, e olhou-o com um olhar exagerado de pena. Ele arrastou a cadeira para longe dela, e fechou os olhos. Eu estou no inferno.

Risadas vinham da direção da mesa de Elizabeth. William olhou para ela, para vê-la alegre e contente, uma expressão animada em seu amável rosto. Ele a assistiu, numa irremediável fascinação, enquanto ela passava a mão pelos cabelos dela, ajeitando-os nos ombros. Ele quase pôde sentir os sedosos cachos de encontro aos seus dedos.

A Sra. Bennet finalmente esgotou sua cota de expressões de apreciação. O Sr. Bingley rapidamente mudou de assunto, perguntando a Jane sobre sua quarta irmã.

“Mary teve uma reunião de departamento essa tarde que ela não podia perder,” Jane explicou. “O vôo dela chega tarde essa noite. Mas me certificarei de fazer as apresentações no casamento.”

“E meu irmão Edward e a esposa dele também não chegaram ainda,” a Sra. Bennet lamentou. “O vôo deles foi cancelado. Problemas mecânicos, ele disse quando eles ligaram. Estou com medo deles perderem o casamento!”

“Não, mamãe, eles ligaram novamente, e eles já pegaram um outro vôo depois daquele,” Jane disse numa voz tranqüilizadora. “Eles já estão a caminho.”

“Bem, eu não vejo porque a companhia aérea não pode encontrar um avião extra ao invés de cancelar o vôo. Ou—bem, eu não sei, mas eles são a companhia aérea, eles deviam saber o que fazer. Eles não deviam deixar seus aviões quebrarem o tempo todo, de qualquer maneira. É muito chato quando eles apenas largam as pessoas. Deveriam haver leis contra isso.”

“Sim, querida, que cara de pau a deles, não é mesmo?” O Sr. Bennet observou, num tom seco.

“Qual a profissão de seu irmão?” O Sr. Bingley perguntou a Sra. Bennet.

“Edward? Ele é um médico, de ossos,” a Sra. Bennet disse, orgulhosa.

“Ele é um cirurgião ortopedista no Hospital Johns Hopkins, em Baltimore,” Jane disse.

“E a tia de Jane, Madeline, é uma cirurgiã pediatra,” Charles adicionou. “Sinto muito que eles não estejam aqui hoje—estou ansioso para conhecê-los.”

William tinha conhecimento parcial da conversa que dançava ao redor dele, o olhar dele fixo na mesa de Elizabeth. A discussão deles estava animada e, baseado nas risadas que soavam freqüentemente, divertida. O pior de tudo era Bill Collins, que se inclinava e falava confidencialmente com Elizabeth com muita freqüência.

salad A atenção de William voltou-se para a mesa onde ele estava por um estímulo nada bem vindo—um pé, sem sapato, esfregando-se na perna dele. Ele afastou sua cadeira para longe de Caroline pela terceira vez desde que o jantar havia começado, desenroscando a perna dele da dela e dando-a um olhar de aviso. Se continuar assim, estarei sentado no colo da Sra. Bennet antes da entrada ser servida. Caroline olhou-o de volta com uma expressão inocente enquanto ela começou a comer a salada.

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salmon O jantar parecia estar se arrastando, o fim longe dos olhos. Aqueles que estavam na mesa de William tinham ficado em silêncio depois que a entrada foi servida—exceto a Sra. Bennet, que matracava sem parar sobre cada aspecto do casamento de amanhã. Infelizmente, ela estava fazendo isso entre uma garfada e outra, com o resultado de que pedaços ocasionalmente caiam da boca dela enquanto ela falava.

“Oh! E os vestidos das damas e madrinhas! A senhora os viu, Sra. Bingley? Eles são adoráveis! O tecido que Jane escolheu para a saia—e o lindo corpete com laços—”

“Por favor, Francie, nada de laços, eu imploro a você,” gemeu o Sr. Bennet. “Ou corpetes, falando nisso.”

A Sra. Bennet ficou em silêncio e atacou o conteúdo de seu prato, amuada.

“Eu falei para Charles para não poupar gastos,” disse o Sr. Bingley. “É importante que tudo dê certo no casamento. Muitos sócios meus de negócios estarão aqui amanhã.”

“E nós realmente apreciamos sua ajuda para pagar os custos,” a Sra. Bennet disse calorosamente.

“Ajuda?” o Sr. Bingley deu um riso abafado. “Entendo eu que estou pagando por quase tudo, não é mesmo?”

Charles olhou para Jane, que estava olhando para baixo, para o próprio prato, mordendo o lábio.

“Ah sim, claro, e o senhor está sendo tão gentil,” a Sra. Bennet disse rapidamente, afirmando o que ele disse. “E, como eu estava dizendo, que lindo casamento será! As músicas também estão lindas! Você ouviu a canção de Lizzy esta tarde, não ouviu, Sr. Darcy?”

William moveu-se, involuntariamente. Elizabeth estava contando uma estória na mesa dela, e ele estava virado para ela, tentando ouví-la. Ele se voltou para a Sra. Bennet, franzindo o cenho, confuso, e ela repetiu a pergunta, com uma impaciência muito clara.

“Sim, eu a ouvi cantar,” ele respondeu. “Ela tem uma voz linda.”

“Não sabemos de quem Lizzy puxou a voz,” observou o Sr. Bennet. “Não de mim, certamente. Francie às vezes tenta me convencer de que teve alguma coisa a ver com isso, mas quando eu penso nas canções de ninar que ela costumava cantar para as meninas, eu me pergunto como elas não sofreram com pesadelos crônicos.”

“Sua mãe não era uma cantora profissional, William?” o Sr. Bingley perguntou.

“Sim, ela estava começando sua carreira em ópera quando ela conheceu meu pai,” William respondeu. “Mas ela desistiu de tudo quando nos mudamos de Roma para Nova York.”

“E ela sentia falta de cantar?” o Sr. Bennet perguntou.

William assentiu, com tristeza nos olhos dele. “Sim, muito. Ela costumava me contar estórias sobre estar no palco. Ficou um vazio na vida dela quando ela teve que parar.”

O Sr. Bingley deu de ombros. “Seu pai tinha responsabilidades como diretor de um grande conglomerado. E era responsabilidade de sua mãe apoiá-lo, não perdendo tempo com frivolidades. É assim que deve ser.”

William viu Jane pressionar os lábios e olhar para Charles, que se remexia em sua cadeira, mexendo o garfo nervosamente.

“Devo dizer que sempre gostei da idéia de encontrar uma mulher para me apoiar,” o Sr. Bennet observou, sarcasticamente. “Mas não foi bem assim, foi, Francie?”

“O quê? Ah, Andrew, não seja tolo.” A Sra. Bennet chacoalhou a cabeça em direção ao marido. “Não foi isso que o Sr. Bingley quis dizer. Será que já ouvimos falar de sua mãe, Sr. Darcy?”

“Eu duvido. Era era ainda jovem quando parou de cantar—não muito mais velha do que Elizabeth. E ela se apresentava mais na Europa.” Além de que, eu aposto que o único cantor de ópera que você conhece é o Pavarotti. “O nome dela era Anna Forlini.”

A Sra. Bennet deu de ombros. “Alguns dos professores de voz de Lizzy queriam que ela fosse uma cantora de ópera, mas ela preferiu a Broadway.”

“Eu disse isso a ela esta tarde, que eu achava que ela tinha talento para ópera,” William disse. “Estou supreso de que ela tenha escolhido não fazê-lo.”

“Você disse isso a ela?” Charles perguntou, fazendo uma careta para o amigo.

William não entendeu o tom de aviso na voz de Charles. “Como eu já disse, ela tem uma linda voz, e é uma pena que ela a use de maneira a desperdiçar seu talento.”

Os olhos de Charles se arregalaram, aparentemente alarmados, e ele pareceu estar buscando as palavras certas. Mas a Sra. Bennet falou primeiro. “Então, você acha que ela cometeu um erro, em tentar ser uma estrela da Broadway?”

Ele assentiu, com um ar de conhecimento. “Sim, eu acho. New York está cheia de atrizes que lutam pelo seu espaço, e poucas alcançam o estrelato. Precisa-se de muita sorte—talento não é garantia de nada. E eu presumo que ela não obteve o sucesso que esperava.”

“Não, ela não obteve,” a Sra. Bennet lamentou. “E você acha que ela podia ter sido um sucesso em ópera?”

“É certamente possível. Acho que ela é uma cantora maravilhosa. Mas é preciso muitos anos de prática disciplinada em voz para uma carreira em ópera, então eu suponho que seja muito tarde para ela agora. É uma pena.”

“Lizzy sempre foi pela própria cabeça,” o Sr. Bennet observou, moderadamente. “Até mesmo quando era apenas uma garotinha, ela sempre foi independente. Ela também gostava muito de dançar, tanto quanto cantar, e os musicais lhe deram a oportunidade de fazer as duas coisas. Mas agora ela planeja dar aulas, então, ao invés de treinar, ela estará treinando a próxima geração de atores famintos de Nova York. É um chamado nobre—alguém tem que atender as mesas e bares naqueles restaurantes todos.”

“Você sempre a defende, Andrew, mas ela é teimosa e tola, e você sabe disso. Eu sempre disse a ela para ouvir o que os professores diziam a ela, mas ela seguiu meu conselho, ou o deles? Não, não mesmo! E aqui está o Sr. Darcy, tão gentilmente oferecendo seu maravilhoso conselho, e ele está dizendo a mesma coisa!”

“Mamãe,” Jane disse, baixinho, “Eu achava que a senhora queria que Lizzy se tornasse uma grande estrela da Broadway. Não se lembra? A senhora costumava dizer que talvez ela pegasse um papel principal numa versão para cinema de um grande musical, e ela se tornaria rica e famosa.”

“É isso mesmo, Francie,” o Sr. Bennet acrescentou. “Eu até me lembro algo sobre querer que ela fosse a próxima Barbra Streisand, com exceção do nariz.”

“Se você quer que sua filha seja famosa,” disse o Sr. Bingley, “ópera não me parece ser uma boa escolha. Poucos cantores de ópera são conhecidos.”

“Isso não é verdade, não é!” A Sra. Bennet protestou. “Tem aquele sujeito, Pavarotti. E o Plácido Flamingo. E o terceiro tenor—qual o nome dele mesmo?”

William pressionou os lábios e meneou levemente a cabeça. Caroline abafou uma risada no guardanapo.

“De qualquer maneira,” a Sra. Bennet continuou triunfalmente, “a minha filha que será realmente famosa é minha doce Lydia. Você a conheceu, Sr. Darcy?”

William fez que não com a cabeça, friamente. “Não fomos apresentados, mas eu a notei.”

“Claro que você a notou,” disse a Sra. Bennet com um sorriso orgulhoso. “Ela é muito popular com os homens.”

Caroline deu uma risadinha.

“Creio que ela mora em Los Angeles,” o Sr. Bingley disse. “Em que parte da cidade?”

“Oh, algum lugar por lá,” a Sra. Bennet respondeu com um vago aceno de mão. “Ela ainda está esperando pela grande chance dela. Embora ela tenha conseguido um papel recentemente, num programa policial. Estamos tão ansiosos porque ela logo aparecerá na TV!”

“Em que tipo de papel?” Charles perguntou.

“Vítima de um assassinato,” disse a Sra. Bennet.

“Então ela morre durante o programa?” disse Charles. “Isso vai ser interessante de ver.”

“Não, tenho quase certeza de que ela está morta no começo do programa,” respondeu a Sra. Bennet.

“Então, ela conseguiu um papel de cadáver?” William perguntou, certo de que tivesse entendido errado. Caroline agarrou o braço dele, a outra mão dela cobrindo a boca. Ele a ouviu rir baixinho.

“Sim, é isso mesmo. Me certificarei de avisá-los todos quando for ao ar. E ela acabou de conseguir um emprego de meio-período. Ela teve tanta sorte de conseguí-lo—eles são muito seletivos em relação às pessoas que eles contratam para essa posição,” gabou-se a Sra. Bennet.

“Onde ela trabalha?” perguntou o Sr. Bingley.

“Ela é chamada de ‘Garota Hooper.’ Esse é o nome do restaurante—Hooper’s. Ela até tem um uniforme especial. O nome do restaurante é em homenagem a uma coruja. Não é uma gracinha?” A Sra. Bennet sorriu com orgulho.

William viu Jane dirigir um olhar duro para mãe, implorando.

hooters girls “Francie, é ‘Hooters,’ não ‘Hooper’s,’” disse o Sr. Bennet, os lábios dele crispados.

Caroline engasgou com um pedaço de salmão, a face dela ficando rosada, quase púrpura, quando ela escondeu a boca no guardanapo novamente.

“Bem, isso faz mais sentido!” Exclamou a Sra. Bennet. “Me perguntei porque o nome da coruja era Hooper! O senhor ouviu falar do restaurante, Sr. Bingley?”

A expressão no rosto do Sr. Bingley endureceu. “Sim, ouvi. Tenho certeza de que as gorjetas dela serão substanciais.”

Não tenho dúvida disso, William pensou enquanto a mesa ficou silenciosa.

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cake Elizabeth estava terminando seu bolo de chocolate quando Charles se aproximou da mesa dela.

“Charles,” ela o cumprimentou, sorrindo. “O jantar estava delicioso.”

“Fico feliz que tenha gostado. Minha mãe ficará muito feliz em saber.”

“Oh, sim,” acrescentou Bill. “Simplesmente delicioso. O aperitivo estava maravilhoso, a salada tão fresca, e o salmão—”

“Sim, Bill,” Charles interrompeu gentilmente. “Fico feliz que tenha gostado. Mas tenho um favor importante para pedir para Lizzy.”

Elizabeth olhou para Charles, ansiosa.

“Jane e eu gostaríamos de saber se você cantaria para nós hoje à noite. William concordou em tocar algo, e esperávamos também uma performance sua para nós.”

A sobrancelha de Elizabeth franziu-se. “Nossa, eu não sei. Eu precisaria de alguém para me acompanhar, e não tenho nenhuma partitura comigo.”

“Ah, Elizabeth, você tem que cantar! Você deve cantar!” Bill exclamou. “Ficarei muito feliz de tocar para você. Tenho uma caixa cheia de partituras no carro de Jim—eu estava levando-a do conservatório para casa. Tenho certeza de que acharemos algo adequado em um dos livros.”

Os olhos dela desviaram-se, em direção à mesa de William. Ele estava olhando fixamente para ela de novo, como ele tinha feito com freqüência durante todo o jantar. A presente expressão de desaprovação dele também estiveram no rosto dele durante quase toda a refeição. Talvez ele não goste de minhas maneiras à mesa.

Ela estava cansada do desprezo dele, e mais cansada ainda de manter a promessa feita de segurar a língua. Ela não queria fazer uma performance pobre na frente dele, validando assim a opinião dele, de que ela não era um músico de verdade. Mas, espere aí…

A careta desapareceu do rosto dela. “Bill, você estaria realmente disposto a me acompanhar se eu decidisse cantar?”

“Claro!” ele gritou. “Seria uma grande honra para mim.”

“Maravilha!” Ela se inclinou, beijando-o impulsivamente na bochecha, o que colocou um sorriso de felicidade no rosto dele. “Charles, eu adoraria cantar para vocês—só me dê um tempinho para eu me preparar.”

“Excelente! Direi a Jane. Obrigado, Lizzy, e obrigado a você também, Bill.”

Charles retornou à sua mesa, e Elizabeth se virou para Jim Pennington. “Será que eu e Bill podemos pegar a chave do seu carro? Precisamos checar a caixa de partituras dele. Eu sei o que quero cantar—espero que a música esteja em um dos livros.”

O olhar sombrio de William seguiu-a enquanto ela deixou o salão com Bill. Olhe feio o quanto quiser, William Darcy. Vou lhe dar uma performance da qual você não vai se esquecer tão cedo.

 

Piano